16/12/2013

O poder do empreendedorismo

O tempo gasto para resolver questões tributárias no Brasil é de 2.600 horas por ano. Nos demais países, não ultrapassa 347 horas


Por Shirley Silva*



A expansão dos negócios no Brasil é visível. Despontam no cenário nacional nomes de empresas que nasceram e cresceram significativamente nos últimos cinco ou dez anos. Não faltam oportunidades em vários setores da economia, sobretudo no Nordeste. Ampliam-se também as opções de captação de recursos para sustentar esse avanço, com um mercado de capitais mais acessível, internacionalizado e em claro processo de amadurecimento e diversificação. Além disso, ampliam-se as fontes de financiamento internas, através dos bancos de fomento e das instituições financeiras públicas e privadas que, com a redução gradual das taxas de juros, aumentaram o acesso ao crédito.

Em um momento em que o mundo se esforça para sair de uma das mais graves e profundas crises econômicas da história, os empreendedores são peças-chave para impulsionar o crescimento brasileiro, ao oferecer um recurso essencial: o otimismo. Quando suas ideias saem do papel e se tornam negócios sustentáveis, estimulam inovação e geram mais e melhores empregos.

Segundo recente estudo da EY, empreendedores são responsáveis por mais da metade dos empregos gerados nos países do G20. Porém de forma contraditória, embora no Brasil haja um forte prestígio à cultura “self-made”, as empresas em estágio inicial têm mais dificuldade em conseguir recursos financeiros necessários para começar ou ampliar seus negócios. Soma-se a isso a complexidade de nossas regulações e de nosso sistema tributário. São necessários 119 dias para iniciar um negócio no Brasil, um período seis vezes maior do que na média dos países do G20. O tempo gasto para resolver questões tributárias é de 2.600 horas por ano, enquanto que, nos demais países, esse período não ultrapassa 347 horas.

Essa dificuldade não apenas desestimula nossos jovens a optar pelo empreendedorismo como projeto de vida e carreira, como resulta em uma mortalidade precoce das empresas. No Brasil, 49% dos pequenos negócios não passam do primeiro ano. Para mudar esse cenário, criando um ecossistema de fomento ao empreendedorismo que colabore com a perenidade dos negócios, é preciso unir esforços de governos, empresas e dos próprios empreendedores, garantindo assim a saúde econômica do país. É o que chamamos de triplo poder, que deve atuar em quatro frentes: facilitar o acesso a financiamentos, sobretudo para as start-ups; simplificar a estrutura tributária e as regulamentações; aprimorar o sistema de educação e capacitação; e estimular uma cultura empreendedora.

Se, por um lado, as notícias mostram que há desafios de curto prazo que fazem as empresas apertar os cintos, também existem possibilidades e oportunidades de desenvolvimento num mercado cada vez mais dinâmico e globalizado. Nossa vocação é olhar para a frente e de forma impaciente querer crescer com a gestão de todos os recursos de forma sustentável e não se acomodar no curto prazo com as angústias do querer sobreviver. [B+]

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Shirley Silva é sócia-líder da EY na Bahia

- Coluna publicada na edição 21 da Revista [B+] - 

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